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O QUE A INDONÉSIA, KIRCHHOFF E UMA FORMAÇÃO ACADÊMICA BRILHANTE TEM EM COMUM?

Salve, salve, doutores e doutoras!

Em nosso segundo relato no ‘’Épicos da Medicina’’, abordaremos a vida de um pesquisador que por mais de trinta anos trabalhou em um ‘’método de exame credenciado a revolucionar a cardiologia’’, bem como a Medicina. Não há dúvidas da prova do valor de sua contribuição, tendo em vista a permanência entre os recursos mais freqüentemente utilizados na medicina moderna mesmo sendo idealizado e validade há mais de um século.

Claro, isso tudo você já sabia,  doutores e doutoras. O que vocês provavelmente não sabiam é que esse Épico da Medicina teve uma trajetória acadêmica intelectual, esportiva e científica brilhante, digna de inspirar a nossa Jornada Médica. Com vocês: 

WILLHEM EINTHOVEN (1860-1927): o pai da Eletrocardiografia

Willem Einthoven nasceu 1860, em Semarang, na ilha de Java, naquela época incluída nas Índias Orientais Holandesas e hoje integrante da República da Indonésia. Filho de Jacob Einthoven, holandês e oficial médico do exército colonial holandês e posteriormente transferido e residindo em Semarang. Einthoven fez os cursos primário e secundário em Utrecht, completando este último aos dezoito anos. Em face de dificuldades financeiras, após o falecimento do pai, inscreveu-se em 1879 no curso de medicina da Universidade de Utrecht, solicitando um contrato com o Exército, que lhe assegurava o custeio dos estudos e um pequeno salário suplementar com a creditação de, após a formatura, servir como militar nas colônias.

PERÍODO ACADÊMICO

Como estudante se destacou intelectual e fisicamente, sempre praticando esportes, procurando defender os benefícios dessas práticas no jornal estudantil de sua faculdade e organizando torneios esportivos entre universidades holandesas. E você achando que você era o único que ia para os InterMeds! (haha). Tinha preferência por  remo e a esgrima, e fundou a União de Remo dos Estudantes de Utrecht e a Sociedade Olímpia de Ginástica e Esgrima. Com certeza as habilidades com esgrima e sabre contribuíram para sua atuação posterior no exército,

No curso de medicina, seu desempenho brilhante chamou a atenção de alguns dos professores de maior renome. Um dos primeiros foi o anatomista Koster que, naquela ocasião, investigava problemas de mecânica articular e, após um fratura de punho, passou a acompanhar Koster e até publicar um artigo na Real Academia de Medicina, ‘’Algumas observações sobre o mecanismo da articulação do cotovelo’’. 

Outro campo de estudo foi a oftalmologia, através de Frans Cornelis Donders, de renome internacional e professor titular de Fisiologia da Universidade de Utrecht. Aprofundou seu estudos de tal maneira, que seu ‘’TCC’’ foi ‘’Estereoscopia por diferença de cores’’, consistindo em uma análise óptica e matemática do problema. Foi submetido à Faculdade de Medicina em 1885, recebendo a menção cum laude e foi republicada, em alemão e francês, em revistas médicas.

JORNADA MÉDICA

No período pós-formação acadêmica, o Dr. A. Heynsius, professor de Fisiologia na Universidade de Leiden, a mais antiga das universidades estatais holandesas (fundada em 1575), faleceu e a trajetória brilhante de Einthoven acaba por pleitear a coordenação do laboratório desta universidade. Em 1886 já era Doutor em Medicina e aguardou a licença do exercício profissional para assumir o laboratório. Meses após assumir o cargo, Einthoven trouxe a Leiden um prestígio cada vez mais sólido e tornou-se local de visita obrigatória para os cardiologistas e eletrofisiologistas que vinham à Europa. 

Fig.I: Einthoven em seu laboratório destinado a mudar a Históra da Medicina (fineartamerica.com)

As primeiras pesquisas de Einthoven nesse laboratório estavam ligadas a fenômenos respiratórios: pressão intratorácica e pressão dos gases na cavidade pleural. Estudo também a bexiga natatória dos peixes. Passou depois, com um método novo, a estudar a musculatura brônquica e o papel da mesma e do nervo vago nas crises de asma. Mas e as pesquisas com eletrocardiograma? Estamos chegando lá. 

Vocês lembram de um nome que estudamos no ensino de Eletrodinâmica do Ensino Médio chamado Kirchoff? Esse mesmo… Willhem realizou um estágio universitário no Laboratório de Kirchoff, em 1873, e foi lá que Einthoven conheceu o que seria a ponta pé inicial de sua obra prima.  Após anos de estudos, método, trabalho e tendo o galvanômetro de Kirchoff como base, em 1901, publica seu artigo  “Um novo galvanômetro” numa revista científica holandesa. Como todo experimento de vanguarda, suas conclusões foram questionadas, principalmente na praticidade clínico. 

GRANDE FEITO: O ELETROCARDIOGRAMA

Foi, então, 1908, que Einthoven publica “Considerações adicionais sobre o eletrocardiograma”, dividido em cinco capítulos, e que abrange estudos eletrocardiográficos na rã, no cão e no homem, com mais de 5.000 ECGs e abordagens clínicas avançadas e complementares às pré-existentes, incluindo o estudo do Fenômeno de Wenckenbach. Posteriormente a mais questionada e a mais agraciada contribuição foi o Triangulo de Einthoven, apresentado à Chelsea Clinic Society.

Fig.II: Experimentação do método eletrocardiográfico que traria para nós os noções básicas,  como Triângulo de Einthoven e Derivações (noinventor blogger) 

Sua premiação máxima o surpreenderia 20 anos mais tarde, em 1924, com Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina daquele ano, por sua descoberta do mecanismo do ECG. Ao receber o prêmio, concluiu sua declaração: 

“um novo capítulo se abria no aprendizado das doenças do coração, não por obra de um só homem, mas pelo trabalho conjugado de muitos homens de talento que, espalhados pelo mundo e sem respeitar fronteiras políticas, convergiam seus esforços para um propósito comum: aumentar nosso conhecimento da doença, para alívio da humanidade sofredora”.

Willem Einthoven foi casado com sua prima irmã, teve três filhas e um filho. Faleceu a 28 de setembro de 1927, aos 67 anos, e foi sepultado na Groene Kerkje de Oegstgeest, onde se acha localizado o jazigo das famílias Einthoven e De Vogel.

REFERÊNCIAS:

  1. Willem Einthoven. IEEE Global History Network (em inglês). IEEE. Consultado em 20 de agosto de 2012.
  2. Cajavilca Christian; Joseph Varon (2008). Resuscitation great. Willem Einthoven: the development of the human electrocardiogram (em inglês). 76. [S.l.]: Resuscitation. pp. 325–8
  3. S Serge Barold (2003). Willem Einthoven and the birth of clinical electrocardiography a hundred years ago (em inglês). 7. [S.l.: s.n.] pp. 99–104
  4. P Schweitzer; S Keller (2002). Willem Einthoven—inventor of electrocardiography. Título ainda não informado (favor adicionar). [S.l.: s.n.] pp. 20–3
  5. L F Haas (2001). Willem Einthoven (1860–1927) (em inglês). 71. [S.l.: s.n.] 407 páginas

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